A
fotografia não tem um único inventor. Ela é uma síntese de várias observações
e inventos em momentos distintos. A primeira descoberta importante para
a photographia foi a "câmara obscura". O conhecimento
de seus princípios óticos se atribui a Aristóteles, anos antes de Cristo,
e seu uso para observação de eclipses e ajuda ao desenho, a Giovanni
Baptista Della Porta.
Sentado sob uma árvore, Aristóteles observou a imagem do sol, durante
um eclipse parcial, projetando-se no solo em forma de meia lua quando
seus raios passarem por um pequeno orifício entre as folhas. Observou
também que quanto menor fosse o orifício, mais nítida era a imagem.
Séculos de ignorância e superstições ocuparam a Europa, sendo os conhecimentos
gregos resguardados no oriente. Um erudito árabe, Alhazem, descreveu
a câmara escura em princípios do século XI.
No século XIV já se aconselhava o uso da câmara escura
como auxílio ao desenho e à pintura. Leonardo da Vinci fez uma descrição
da câmara escura em seu livro de notas, mas não foi publicado até 1797.
Giovanni Baptista Della Porta, cientista napolitano, publicou em 1558
uma descrição detalhada da câmara e de seus usos. Esta câmara era um
quarto estanque à luz, possuía um orifício de um lado e a parede à sua
frente pintada de branco. Quando um objeto era posto diante do orifício,
do lado de fora do compartimento, sua imagem era projetada invertida
sobre a parede branca.
Alguns, na tentativa de melhorar a qualidade da imagem projetada, diminuíam
o tamanho do orifício, mas a imagem escurecia proporcional-mente, tornando-se
quase impossível ao artista identificá-la.
Este problema foi resolvido em 1550 pelo físico milanês Girolamo Cardano,
que sugeriu o uso de uma lente biconvexa junto ao orifício, permitindo
desse modo aumentá-lo, para se obter uma imagem clara sem perder a nitidez.
Isto foi possível graças à capacidade de refração
do vidro, que tornava convergentes os raios luminosos refletidos pelo
objeto. Assim, a lente fazia com que a cada ponto luminoso do objeto
correspondesse um pequeno ponto de imagem, formando-se assim, ponto
por ponto da luz refletida do objeto, uma imagem puntiforme.
Desse modo, o uso da câmara escura se difundiu entre os artistas e intelectuais
da época, que logo perceberam a impossibilidade de se obter nitidamente
a imagem, quando os objetos captados pelo visor estivessem a diferentes
distâncias da lente. Ou se focalizava o objeto mais próximo, variando
a distância da lente / visor (foco), deixando todo o mais distante desfocado,
ou vice-versa. Danielo Brabaro, em 1568, no seu livro "A prática da
perspectiva" mencionava que variando o diâmetro do orifício, era possível
melhorar a nitidez da imagem. Assim, outro aprimoramento na câmara escura
apareceu: foi instalado um sistema, junto com a lente, que permitia
aumentar e diminuir o orifício. Este foi o primeiro "diaphragma".
Quanto mais fechado o orifício,
maior era a possibilidade de focalizar dois objetos a distâncias diferentes
da lente.
Nesta altura, já tínhamos condições de formar uma imagem satisfatoriamente
controlável na câmara escura, mas gravar essa imagem diretamente sobre
o papel sem intermédio do artista era a nova meta, só alcançada mais
tarde com o desenvolvimento da química.